Há 2 anos, ainda antes de sairmos do Bairro Alto, já tinhamos um plano delineado que consistia em manter A Outra Face da Lua no Bairro Alto e abrir uma outra A Outra Face da Lua na Baixa.
Solicitamos uma reunião na Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE) para apresentar o nosso projecto, mas Dra que nos atendeu não sabia o que era roupa vintage e ficou um pouco perturbada com a ideia da ANJE subsidiar um projecto que vende artigos em segunda-mão. Acabámos por ir parar à gaveta da ANJE, que existe para desenvolver projectos como o nosso.
Apesar de nos terem dito que seriamos contactados, não houve qualquer feedback. Devido ao engavetanço do projecto não conseguimos ficar com a loja do Bairro Alto porque não tinhamos dinheiro para exercer o direito de preferência em relação à loja (que foi entretanto vendida).
Tivemos mesmo que sair do Bairro Alto, mas decidimos que o projecto A Outra Face da Lua não podia acabar.
ANJE 1 x A Outra Face da Lua 0
Depois de sabermos que tínhamos de sair do Bairro Alto começamos a procurar espaços na Baixa para continuar o projecto. Atempadamente perguntamos ao banco com o qual trabalhamos qual seria a viabilidade de comprar um espaço em vez de arrendar.
A resposta foi positiva. Para conseguir o financiamento bastava a hipoteca do imóvel e 1 ano de funcionamento da loja para apresentar pelo menos um balanço da empresa.
Decidimos avançar e para a abrir a loja contraímos empréstimos pessoais que foram conseguidos sem grandes problemas visto serem créditos ao consumo. Conseguimos também o leasing para a compra do equipamento do bar. Mais um crédito ao consumo. Tudo isto nos indicou mais uma vez que o empréstimo para a compra do imóvel seria concedido.
Os donos do espaço deram-nos 1 ano para efectivar a compra de forma a termos pelo menos 1 balanço da empresa.
Mas, contrariamente ao que nos tinha sido dito, passado alguns meses de actividade da loja, a resposta do banco em relação ao financiamento para a compra do imóvel foi negativa.
Rapidamente tentamos outros bancos, mas a resposta foi também negativa pelo facto de a empresa não ter historial nesses bancos e pelo facto de termos altas taxas de esforço devido aos empréstimos pessoais.
Obviamente, e queremos esclarecer isto de forma clara, nós nunca teríamos avançado para a compra de uma loja se a resposta do banco não tivesse sido optimista desde o inicio. Não somos inconsequentes ao ponto de por em causa um trabalho feito ao longo de tantos anos.
Pensando bem achamos que isto não é mais do que um reflexo do estado do empreendedorismo no nosso país.
Ninguém dos bancos aos quais solicitamos o crédito se dignou sequer a vir visitar a loja e entender o projecto. Que saibamos não se concede um crédito à habitação sem antes ver e avaliar uma casa.
Com tudo isto o contrato chegou ao fim do prazo e não fossem os donos do espaços concederem-nos mais alguns meses já a loja estaria encerrada. Praticamente já perdemos a esperança de vermos um financiamento bancário para a compra do imóvel aprovado.
Por tudo isto e porque a loja tem corrido optimamente bem, decidimos fazer esta campanha. Achamos que este projecto merece. Conseguimos não só trazer os clientes do Bairro Alto para a Baixa como atrair muitos clientes e turistas da zona.
A Outra Face da Lua já conquistou o coração de muitas pessoas. Agora trata-se de conseguir um espaço físico através de formas menos convencionais tal como ela.
BANCO 1 x A Outra Face da Lua 0
A campanha SOS VINTAGE foi uma ideia que tivemos enquanto pensávamos em possíveis soluções para este problema, entre eles o encerramento da loja.
Depois de ponderar sobre o assunto, resolvemos fazer a campanha. Gostaríamos de referir o difícil que tem sido expor publicamente uma fragilidade destas numa empresa mas achamos ainda mais difícil encarar o encerramento de uma empresa saudável e com um futuro promissor.
Chegámos então a conclusão que que A Outra Face da Lua merece que lutemos por ela e que queremos desenvolver este projecto em Portugal.
A campanha SOS VINTAGE é uma campanha com o objectivo de angariar fundos para a compra do imóvel de uma forma não institucional. Mas é também uma forma de expor um problema comum a muitos empreendedores deste país.
Quando um empreendedor procura um financiamento para o seu projecto é normalmente encaminhado para os créditos pessoais na forma de créditos ao consumo.
Se ele quer abrir uma loja, que poderá vir a ser uma fonte de criação de riqueza para o país (e estamos a falar de Portugal), o banco normalmente diz que não. Se mesmo depois de isso não desistir do projecto acaba por ser encaminhado para um crédito ao consumo com juros mais altos.
Na prática, finge que compra um carro e abre uma loja. Esta é a realidade que muitos empreendedores enfrentam. Conseguem abrir a loja mas à custa de juros mais altos e de altas taxas de esforço.
Esta campanha não foi criada para ser anti seja o que for, mas sim para fazer as pessoas pensarem um pouco sobre o futuro de empreendedorismo em Portugal numa altura em que o próprio Presidente da República fala sobre o assunto, curiosamente em Espanha.
É ainda uma forma de expressar a nossa vontade de lutar por aquilo em que acreditamos.
Acima de tudo, as t-shirts simbolizam a campanha. Ao comprar e ao usar a t-shirt as pessoas transmitem o seu apoio à continuidade da loja e contribuem para que outros empreendedores se sintam inspirados a lutar pelos seus projectos.
As pessoas podem ajudar comprando a t-shirt e contribuindo com 15€ para a continuidade deste projecto ou escrevendo o seu comentário no nosso blog: sosvintage.blogspot.com. Queremos também que as pessoas vistam a t-shirt e nos enviem fotos para publicar no blog.
A campanha leva-nos a pensar quantos bons projectos não foram para a frente pelas mesmas razões e a quantas pessoas já foram recusados financiamentos que de alguma forma enriqueceriam o nosso país.
Gostávamos de levar as pessoas a pensar em algumas coisas:
Porque é que tantos jovens portugueses estão a ir embora para outros países?
Porque é que continuam a abrir centros comerciais com lojas sempre iguais?
Porque é que as pessoas gostam tanto de encontrar lojas diferentes no estrangeiro?
Porque é que em Portugal há tão pouca oferta de lojas inovadoras?
Já vimos que se não tivermos dinheiro ou bens os bancos não dão. Se o projecto for inovador e a Dra. da ANJE não o conhecer não há subsídios. Sendo assim, resta-nos o quê? Resta-nos a opinião das pessoas.
Queremos que as pessoas pensem nisto de cada vez que acharem que o problema d'A Outra Face da Lua é só nosso. Porque não é.